quarta-feira, 5 de julho de 2017

Gosto de olhares

Gosto de olhares sinceros, daqueles que conseguem nos calar e acalmar ao mesmo tempo. Que seja um olhar sério de compreensão, ou aqueles que vem acompanhados de sorrisos e esses risos regados à pensamentos aflorados. Sinto até o cheiro desse afago. Gosto de olhares sinceros, pois se não forem sinceros o coração estranha. Gosto de olhares tristes, pois a tristeza não tem como ser escondida. Um olhar que acabou de chorar, avermelhado e exausto. Gosto daquele olhar que não se preocupa com as horas, um olhar que aproveita cada instante do tempo, do agora e do momento. Não por saber, mas sim por sentir prazer, por querer! Gosto de olhares que nos miram profundamente, por mais que você não retribua por timidez, é bom quando o outro entende (mas só é bom quando o outro entende). Entende que você tem um mar de palavras dentro de si, e que seu marinheiro interior navega sozinho em busca de terra firme para colocar os pés no chão. Entende também que o seu maior refém, é o coração. Gosto de olhares, gosto de palavras e do silêncio. Gosto da escuridão e do calor do sol, do céu azul numa manha de inverno e até da solidão. Gosto do amor e do mar, de amar e da dor. Gosto do cheiro do café pela manhã, e do canto dos passarinhos. Gosto daquilo que é recíproco, e isso é tão raro, gosto por isso. Gosto de tantas pessoas, mas confio em tão poucas, quase ninguém. Gosto de falar sozinha, principalmente enquanto tomo banho. Costumo falar coisas sobre a vida, crio teorias, esqueço do mundo la fora, choro às vezes, e também falo coisas as quais gostaria de falar para outrem, porém, acredito que eu nunca irá dizer. Gosto mais ainda quando meu eu fala comigo, é lindo ver a consciência falando em voz alta.
Gosto de sentir, gosto de me perder e de aprender, gosto de olhares sinceros acompanhados de um sorriso e esses risos regados à pensamentos aflorados. Sinto até o cheiro desse afago.

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Não entendo muito sobre mim

Pedaços de papéis que narram a minha história, vão se perdendo em meu quarto todo. Seria eu um tolo por agir assim? Escrever, perder e se perder em minhas memórias. Não entendo muito sobre mim. Mas sei que telas pintadas e coloridas são minhas preferidas, elas expõem a realidade fria mesmo que suas cores sejam quentes. É envolvente o vermelho fervente. Seria a paixão? Seria o amor? Eu diria que talvez sim, porém não, que é o sangue enamorando a dor, a cor, hora prazer, hora amargor.
Há músicas que podem tocar meu coração de tal forma que um ser humano não é capaz tocar, assim como há toques humanos, a pele, o tato, o cheiro que em melodia nenhuma poderei aquilo decifrar ou encontrar.
Eu gostaria de entender a relação entre a mente e o coração e como equilibrar esses dois sentidos, afinal, de um acabo sendo submisso. Mas, creio que o segredo é a não compreensão, pelo menos agora não. Se compreensões surgissem de imediato, tudo ficaria mais claro e até mais chato, e as reflexões do meu dia a dia, aos poucos iriam se desfazendo até haver um vazio enorme dentro de mim. Sem emoções, sem dores, e quando não há dor, não há desejo de inspiração.
Observo o universo caótico que há dentro de mim e exponho um por cento dele num texto sem emoções, analisando as variações de sentimentos que ocorrem nessa trama, do início ao meio e fim. Não entendo muito sobre mim. Pensamentos demasiados, coração acelerado, se deliciando na dor do viver, buscando parada algo novo à se aprender. Uma eterna ilusão, ou um sonho à se viver? Vá saber

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Realidade ausente


Molhe minha boca
num beijo suave
com gosto de vinho seco

Me encare de perto
O lance é tão certo
Quanto dois corpos ferventes num beco

Me esqueço dos erros
Perco meu medo
Ao sentir seus cabelos por entre meus dedos

O silêncio berrando
Você me olhando
Querendo saber sobre os meus segredos

Que aos poucos fui desvendando
Mas entre você e eu
O mistério foi mais verdadeiro

Naquela noite existia um costume
Sentir na minha boca
O gosto do seu perfume

Até que no dia seguinte 
fui de encontro à realidade
(Deixo o fim desse verso por conta da ambiguidade)

E no futuro
A vontade do presente
E no presente
A vontade do futuro


Batosta



quarta-feira, 21 de junho de 2017

A doce amarga solidão



Me vejo aqui parada, refletindo em silêncio por um instante, aquele silêncio que grita mais alto que qualquer outro auto falante, são os meus pensamentos querendo chamar a atenção do meu coração. A velha guerra entre a razão e a emoção e a vida me dizendo pra eu escolher entre o sim e o não.

Eis que surge uma voz na minha cabeça dizendo "Achou que seria fácil? Se sim, você se enganou. Pois dessa vez, a emoção de lado você deixou" Sim, deixei ao lado do meu travesseiro, na minha cama onde me viro de um lado à outro parte das minhas noites, e também nas várias idas e vindas até ao banheiro, optando por manter todas as luzes apagadas por encontrar conforto e desafios em meio à escuridão. Estranho, mas eu gosto disso. É apenas a doce amarga solidão me desejando boa noite e me devorando o tempo inteiro.

Até que a noite acaba e logo o dia amanhece, tudo recomeça e o vazio não me esquece (ou eu quem não me esqueço dele) Sei que algo nessa vida me persegue inevitavelmente, ou são os eternos frutos que plantei na minha mente. Talvez me seja necessário esse tapa na cara que a vida veio e me deu, pedindo pra eu acordar e seguir em frente pra encontrar o meu eu

só sei que dói

consciente

e inconscientemente

assim como sempre doeu.

Vivo num jogo onde o sentir me predomina e a dor me fascina! Enquanto isso, as razões são deixadas de lado por não fazerem tanta importância na minha vida. (Já me disseram que não é bem assim) porém, quem se importa com o meu querer, gostar, e sentir? Seria egoísmo esse meu modo de pensar? Não! É a mais pura segurança por conta da própria insegurança.

Onde quero chegar com esse texto e essas rimas vazias? Quero chegar onde eu encontre a minha paz nessa noite para um sono profundo e tranquilo. Cuspir meros detalhes insignificantes até que a calmaria bata à porta do meu peito pedindo pra eu descansar, sem que a doce amarga solidão me devore o tempo inteiro, e eu não precise deixar isso tudo ao lado do meu travesseiro, na minha cama onde me viro de um lado à outro parte das minhas noites, e também nas várias idas e vindas até o banheiro, optando por manter todas as luzes apagadas por encontrar conforto e desafios em meio à escuridão.

Me sinto mais leve.

Obrigada noite..



quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Como seria a vida, se fosse comum as pessoas sentirem amor pelo próximo?

Como seria a vida, se fosse comum as pessoas sentirem amor pelo próximo?
Não que elas não sintam ou não saibam amar,
Mas se cada uma te amasse exatamente da maneira como você é, sem aquela coisa de te olharem dos pés à cabeça e plantarem uma ideia totalmente contrária da qual você é, apenas pela sua imagem. O que é uma imagem? Veja pelos sinônimos e reflita (Estampa, figura, desenho, gravura..) - "É, elas se esquecem de que todos somos almas vestidas de corpos" e que todos temos uma luz dentro da gente!
Como seria a vida, se fosse comum as pessoas sentirem amor pelo próximo?
Sem ter medo de abraçar e de tocar. Imagine quantas pessoas, até mesmo você ou eu, em algum momento da vida precisou de um abraço, mas preferimos nos esconder por trás de um sorriso, por receio, ou segurança talvez. E é aí que você pára pra pensar que se esconder é a melhor opção, porque no fundo no fundo você sabe que ninguém está nem aí. Mentimos o tempo todo "Tudo bem com você? - Sim e contigo? - Estou bem também". Todos estamos sempre "bem" não é mesmo? Fortes são aqueles que quando não estão, dizem, choram, se expressam! Mas a realidade é que não devo dizer quem é forte e quem é fraco, quem é verdadeiro ou não, a realidade é que o amor é precário e ninguém tem obrigação de se abrir com o próximo. Vivemos em um mundo onde todos somos controlados pelos nossos vícios, onde vivemos o que aprendemos desde criança, onde muitos escondem sua realidade por medo, afinal, a imagem conta muito né? Vivemos em um mundo onde é melhor ouvir à falar, onde os sábios são aqueles que se calam e observam, e falar demais pode se tornar algo ruim talvez. Quantos não fazem o que não gostam e adoecem por isso? Muitos sabem e mudam o caminho, enquanto muitos sabem e continuam no mesmo.
Como seria a vida, se fosse comum as pessoas sentirem amor pelo próximo?
Um mundo onde ninguém sentisse inveja, onde ser, valesse muito mais do que ter. Onde você se visse como todos, e todos se vissem como você, mas cada um com o seu próprio valor, no caso, a personalidade. Um mundo onde você ensina e na sequência aprende. Onde conversar olhando nos olhos, saber ouvir e se sentir feliz com aquilo, seja um dom talvez.
Como seria a vida, se fosse comum as pessoas sentirem amor pelo próximo?
Até parece fantasia não é mesmo? Todos possuímos uma capacidade natural de aceitação da realidade, já outros, preferem dar adeus à vida. Temos tantas coisas a serem desenvolvidas e nem fazemos ideia disso. E é tudo questão de querer e praticar. 
Já pensou, ter o hábito de amar?
Já dizia Martin Luther King Jr  “ O ser humano deve desenvolver, para todos os seus conflitos, um método que rejeite a vingança, a agressão e a retaliação. A base para esse tipo de método é o amor.”  


Batosta




terça-feira, 30 de agosto de 2016

Nuvens negras de algodão


Me lembro de quando eu corria
Sobre os verdes campos floridos
Era tudo tão colorido
Quanto o jeito que ela sorria

O silêncio daquele abraço
E o cheiro daquele suspiro
Tão raro quanto ver um papiro
Flutuando na imensidão do espaço

Eis que o céu azul se fechou
Sob nós só havia a escuridão
E aquelas nuvens negras de algodão
Lágrimas e chuva derramou

Foi tão triste ver
A luz dos seus olhos se apagar
E eu ali tentando me encontrar
Após sentir meu coração adoecer

Doce menina, sabor de paixão
Que com seus amargos verbos
Me trouxe esses versos
Junto à compaixão

É tão puro e valente
Aquele que chora
E com a dor revigora
Ao que se diz tão contente

Sendo assim me vejo vazia
Prefiro que doa ao ter de chorar
Mas acho lindo quem chora, sem pensar
Experientes em primazia


Batosta


sábado, 27 de agosto de 2016

O doce vazio

O vazio me deu um papel em branco
Pedindo para que eu lhe contasse
Do meu jeito, sem classe
Sobre a angústia, e que eu seja franco

Ele sabe que não minto
Escrevi que hora me perco, hora sorrio
Mas que ninguém melhor que o próprio vazio
Para saber o que hora sinto

Hora a felicidade me devora
Não quero que as horas passem
Mas se minhas paredes falassem
Me pediriam para vir embora

Ó doce vazio da ilusão
Quem és tu, quem eu ei de ser?
Isto terei de deixar em branco

Mas sei que uma flor irá florescer
Naquele vermelho barranco
Vazio do meu coração


Batosta